sábado, 22 de dezembro de 2007

Tema de natal

Tinha esquecido a diferença que a música pode fazer na vida de alguém. Esta semana, tive o prazer de esquecer, por alguns minutos, o que acontece no mundo. Parei para ouvir. E, embora o corpo pedisse o conforto da cama e as pálpebras pesassem, esforcei-me para manter os olhos abertos, também tinha muito a ver.

A apresentação foi num salão de festas alugado. No lugar de poltronas majestosas e estofadas, cadeiras de plástico, banquinhos de madeira, cangas e almofadas coloridas eram o espaço que tínhamos para sentar. A simplicidade fazia do ambiente um recinto aconchegante e acolhedor. A acústica não era das melhores, mas não precisou ser. Tudo o que vi e ouvi foi suficiente para lembrar que, às vezes, é preciso parar. Não para pensar na minha vida, mas para estar com aqueles que fazem parte dela. Alguns dos que estavam no “palco” são o que a gente costuma chamar por amigo.

Enquanto eles cantavam, tocavam e encenavam, sentia a canção ecoar dentro de mim. A sensação de liberdade era imensa. Vontade de abrir os braços e esquecer todas as convenções. Acompanhá-los. Vontade de sorrir e chorar e de fazer tudo ao mesmo tempo. Viver.

Nessa hora entendi o poder que o ecoar das notas pode ter sobre um indivíduo. Poder de força, de cura, de escolha. Poder para quem assiste, poder de quem executa. As pessoas se transformam quando acreditam no que fazem. Domínio. Competência. Para uns pode ser um enfrentamento e, junto, um exercício de confiabilidade. Para outros, um desabafo, um expressar de algo que só acontece naquele instante. Como a música é genial. Tantos significados, tantos sentimentos, tantas diferenças.

Ao final da vida, Beethoven não podia mais ouvir. No entanto, a música estava em sua alma. E nem a falta da audição o fez para de compor. Foi preciso serrar as pernas do piano para sentir as vibrações da melodia no assoalho. E assim, ele fez uma de suas mais belas obras.

O natal pode ter começado com a entrada do mês. Todavia, somente a dois dias da data, consigo senti-lo – antes tarde do que nunca. Foi quando parei. Quando olhei em volta de mim. E quando lembrei que o trabalho é importante, mas que a casa, a família e os amigos são alicerces na vida. Não acredito que este ato deva ser feito apenas em dezembro. Mas a gente esquece e, talvez, seja por isso necessário buscá-lo a cada ano. Em livros, cartões e conversas, mas também, na harmonia que existe dentro de cada um de nós.

2 comentários:

Thales Barreto disse...

Minha visão ficou turva ao meio do texto. Não sinto o natal. Acredito em algo superior, brinco com essa historia de ateu, mas acredito sim em um "deus". Mas infelizmente nao sinto essa esperança que querem nos vender nessa época. Isso me encomoda, mas parece que falta alguma coisa. Parece tudo tão simples, tão necessário para viver o ano todo com esses valores que so nos vendem nessa data. Esse sabor de humanidade que você passa no texto sinto sempre, mas o gosto que fica inexplicávelmente é amargo. Lindo texto, hora de eu fazer minha análise... hehehehe... Bjs. Parabéns.

Ps: Desculpa o comentário Post... Mas segui a intuição... :)

Carolina Tavaniello disse...

eu, que não entendo nada do assunto, vejo a música como algo encantador, mágico, que liberta...imagina tu que desde pequena está envolvida com isso! te permite libertar! a música exige isso, eu acho...
beijo