sexta-feira, 17 de julho de 2009

Psicodélia dos velhos tempos...

Sim, estou atrasada, eu sei. Mas ainda estou na semana, não? Treze de julho foi dia mundial do rock e, por isso, também decidi falar sobre ele. Não aquele, hoje, reproduzido por zilhões de bandas. Quero falar de um estilo que mistura o clássico erudito com o clássico pesado.

Acontece que em outra das minhas atuais viagens pelos vídeos, encontrei mais uma raridade perdida entre os amontoados de streamings. E seguia assim... “Cause it's time, it's time in time with your time and it's news is captured…for the queen to use…”. Que news? Que queen?Captured por quem???

O rock progressivo, também conhecido por prog rock ou apenas prog, surgiu no final dos anos 60, agregando ao som, então apresentado, pitacos do jazz e do clássico. Uma espécie de harmonia e recombinações que tornaram o estilo um pouco mais refinado, trabalhado e sob uma nova forma de interpretar as notas. Músicas mais longas e que valorizavam a parte instrumental, letras estranhas. Temas como fantasia, religião, guerra, amor, loucura, história, política. Vocais bem estruturados, que ressoam no ouvido como se não necessitassem de acompanhamento. A arte de sugar do ser humano tudo o que ele é capaz e só ele.

Não vivi esta época, mas como queria ter desfrutado ainda mais as músicas de minutos infinitos, os antigos discos com apenas uma faixa; as palavras que pareciam não ter significado, e o significado escondido nas entrelinhas das metáforas; as viagens que o cérebro faz para entender... "We're just two lost souls simming in a fish bowl, Year after year" Como assim ? Que lindo! (lindo?)

Houve um tempo em que dedicava (e não perdia, pois de longe, isto seria uma perda) tardes para decifrar letras como essas... E na viagem, tentei até descobrir o tom da chuva (acho que fiquei perto de um lá menor, ou maior, não lembro). Pode alguém achar ser coisa boba, mas se até Nietzsche dizia que a música oferece às paixões o meio de obter prazer delas e que sem ela a vida não teria sentido, então acho que não posso me considerar tão inadequada, posso?

Não querendo comparar com o que, hoje, muito toca nas rádios (mas, já o fazendo),onde estão as músicas que fazem pensar? Que não dão de graça o significado direto? Que escondem e que podem deixar a imaginação adivinhar? ...Culpa do tempo? Das gerações? De uma sociedade acomodada com o que é mais fácil de ouvir e compreender?

Culpa de nada, coisa alguma, só os anos que passaram e nós (nós?) não somos o que eram nosso pais, avós, tataravós ... Enfim, na semana do rock, queria então voltar a pensar em ter um pouco mais de tempo para ele... só espero conseguir.

Um comentário:

Eliane disse...

Aninha, que lindo teu post! e com citação de Pink Floyd! :)
é verdade, hoje o rock virou uma coisa chata e grudenta, dessas com refrão pronto, minutos contatos e tema definido.
Adorei tu ter falado sobre rock progressivo, belo texto!