domingo, 13 de abril de 2008

Circo Brasileiro

Eles estão em todo o lugar. A toda hora. Sem descanso nem repouso, vivem em um mundo onde pedir é o trabalho e ganhar, o prazer.

Das ruas tiram o sustento, das árvores fazem suas casas. Alguns trocam, outros brincam de circo. Há também os que possuem o dom de comover, um olhar cabisbaixo, um rosto encolhido. E que dom. Não importa onde você esteja, sempre vem um a pedir: tio, tem uma moedinha?
Alguns são grandes. Outros não passam da janela em que, incansavelmente, se debruçam para facilitar a compreensão. Tio, não tem mesmo? Não, não tenho. Esta é a resposta mais freqüente. Não por falta de compaixão ou por insensibilidade. Mas, se fossemos dar, a cada esquina, uma moedinha apenas, no final do mês, poderíamos evidenciar uma diferença significativa no bolso. Sem contar que, por vezes, a abordagem dos pedintes assusta. Não deixa de ser um ato invasivo.
Não gosto de dar dinheiro. Nem tanto por questões financeiras, mais por razões de conduta. Sempre que posso, carrego algum tipo de comida, bolacha, bala ou algum docinho. Esmola não ajuda, apenas estimula a permanência nas ruas. Não sei para onde vai o dinheiro. Se é o correto? Não sei, não acho que esta seja a melhor solução, mas a comida, pelo menos, tem um destino certo.

Não é fácil equiparar o Brasil ao patamar de países Europeus, onde o conceito de pobreza não chega nem aos pés do que vemos aqui. Mas deixar-se envolver pelos rostinhos sofridos que aparecem na janela do carro, é colaborar para que eles continuem lá. Se pedir for trabalho, a rua vai continuar a ser casa. O circo vai ser montado e o espetáculo não terá fim.

3 comentários:

Tiago Medina disse...

Teu último parágrafo foi perfeito...
Não do esmolas normalmente, é preciso uma cara muito necessitada pra me comover.
Infelizmente, não é com a minha atitude isolada que as coisas se resolvem. Precisa partir dos próprios pedintes - o que, às vezes, é bem difícil.

beijo, querida

Luana Duarte Fuentefria disse...

É uma pena ver o circo de verdade nas sinaleiras. Os meninos com talento todo fazendo malabares e mil e uma façanhas, mas no lugar errado...

Dinheiro não se dá, mas é impossível negar comida pra alguém.

Tiago Medina disse...

escreveeeeeeee, querida