sexta-feira, 21 de março de 2008

Comemoração conjunta

2008, um ano incomum. Sim, este ano é especial. Não por ser o último bissexto da década de 2000. Nem pelo outono que promete escassez de chuvas. A novidade, que o fará ser lembrado na história, é a Páscoa. Ou melhor, a data em que ela é celebrada.

O dia em que é lembrada a ressurreição de Jesus Cristo não é escolhido por acaso. A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo após a lua cheia do outono -no hemisfério sul - ou da primavera - no hemisfério norte. Isso porque é contada segundo o calendário judaico que, por sua vez, é baseado nas fases da Lua. Complicado?

Acontece que, este ano, a Páscoa (do latim Pessach) será festejada muito antes se comparada ao usual (de 22 de março a 25 de abril). A última vez em que ocorreu de forma antecipada foi no ano de 1913.

Coincidentemente, a celebração cristã veio ao encontro de outra comemoração: o possível aniversário do profeta Maomé, expoente da religião islâmica. Mais um motivo para ser lembrada.

Isso quer dizer que estão todos felizes? Antes fosse...

Do lado cristão, a Páscoa é um momento de reflexão. Mas parece que o que mais se reflete são os preços das lembranças, o peixe mais barato, o recorde no varejo. Alguns ainda aproveitam os dias para fazer o que nunca fazem ou adiantar tarefas já que não precisam comparecer ao trabalho. O tal sentido é esquecido e cede o lugar à correria dos tempos modernos.

Do lado islâmico, a data serviu para o reaparecimento de uma das figuras mais temidas na atualidade. Osama Bin Laden aproveitou a comemoração para fazer um “pedido” à União Européia. Na gravação publicada em um site islâmico, o líder da Al- Qaeda pede que as autoridades tomem uma forte atitude quanto a divulgação das charges que envolvem o profeta Maomé. O fato é discutido desde 2005.

E assim como veio cedo, a Páscoa também não tarda a ir embora. Segunda feira, tudo começa outra vez. Descansados, retoma-se a vida. As tarefas voltam a ocupar a cabeça (se não estiveram presentes durante os dias de folga) e as atividades voltam ao normal. Da reflexão pouco fica, quando muito, dura até mais alguns meses. Talvez a maior repercussão seja mesmo a aparição do líder islâmico, afinal, esta se estende por um bom tempo.

5 comentários:

Luana Fuentefria disse...

É, Aninha. Há muito tempo datas cristãs não têm mais significado que não seja capitalista. Na verdade, nunca vi significado na maior parte das coisas cristãs. Tudo muito incoerente.

[e pq pra escrever comentários pra ti tem que digitar aqueles caracteres chatos, tipo "wbtrgms"? bah, horrível!]

Gabriela Aerts disse...

o blog é novo, aninha! recém ganhou vida.. hehe
to desenferrujando aos poucos.

e ó.. não tem como escapar mesmo.. são todas datas de compra.
e eu, como boa ocidental, compro.

tsc tsc...

(mas eu tenho um motivo: não sou religiosa, então essas coisas ficam em segundo plano.. hehe)

Carolina Tavaniello P. de Morais disse...

Entendo o que tu diz, mas não considero isso errado. Se é que existe certo ou errado nessas horas. Sinceramente, acho muito chata toda essa manifestação de religiosidade através de procissões, missas etc. Mas respeito. E acredito que respeitar já é suficiente.
Beijocas.

John disse...

olha aninha, mesmo quem ainda pensa no real significado dessas datas, tipo páscoa, natal, na verdade tá mais interessado nos presentes, nos ovinhos. é triste, mas é a real.

tiago medina disse...

e eu que sempre me perguntava porque a páscoa mudava de data... nada como uma boa jornalista para nos informar.
Alheio a comemorações, desta páscoa, voltei com uma teoria: todos deviam passar quatro dias no Rosa. Isso melhora a vida das pessoas =D