quinta-feira, 9 de julho de 2009

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E naquela mesma montanha, onde do mundo esqueceu, havia um monumento, uma passagem. Passagem? Como assim, uma passagem? Há quem diga ser...Na dúvida...Em lugares como este, não importa o que seja, o que tenha ou pareça, para cada um pode ser o que quiser. Achava ela não ser um simples monumento perdido no meio do nada, do verde coberto pelo branco, do fundo acinzentado pelo tempo. Também não era sonho, porque pessoas passavam por ali, e conversavam e iam e outras chegavam. Ela olhava para aquilo tentando achar uma resposta ou um sentido... mas será que precisa ter? Por que não, imaginar que simplesmente fora construído por acaso? Troço que encuca. Ainda não descobriu o que é... talvez não necessite saber...


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Conselhos de um velhinho

Aproveitando as horas de "folga" das manhãs antes ocupadas pelas aulas, encontrei algumas "raridades", das quais há tempo não via. A começar por um vídeo encenado pelo personagem que atua nos antigos textos medievais. Acompanhada de uma orquestra, a figura toma o centro e começa a recitar algo que parece vir de algum lugar distante. O silêncio da platéia ecoa as frases ditas pelo Menestrel. A voz forte e a expressão no rosto reforçam o sentido das palavras: “depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança.”. Seriam conselhos de alguém que já viveu por muito tempo?

Deixei o vídeo tocar e tocar, e tocar, mais de uma vez. A voz não estava mais apenas na tela do computador, já repercutia na cabeça. O personagem falava de derrota, de enfretamento, de amor e amizade, de família. Balançando-se de um lado para o outro, do outro para o um, o cantor e músico ambulante (menestrel) também disse dos atos humanos... “Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. (...) Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade...”. Talvez já naquela época, as pessoas tivessem certos problemas com a questão identidade.

Acredito não ser um texto de auto-ajuda, do tipo, faça isso ou aquilo, não se arrependa do que fez e blá,blá,blá. Ao ouvir e ver, imaginei o Menestrel um senhor, velhinho, contando as experiências que teve, como se quisesse ensinar o que a vida lhe mostrou, quase assim, um desabafo. Por isso, talvez, a utilização da terceira pessoa e da repetição do verbo “aprender”. Bonito apenas... construtivo, quem sabe?

Quanto à autoria, alguns atribuem ao poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare. Outros, no entanto, dizem advir do texto “After a while” de Verônica Shoffstall. Pequeno grande problema de direitos autorais na internet. (Mas deixemos isso para um próximo post, caso contrário, a intenção inicial se perderá em uma discussão que não terá fim.)

Termino então com as últimas linhas do texto e com a imagem de que, ao final da fala, o Menestrel agradece e a orquestra recomeça sua combinação de notas... o som que sela o dizer do velhinho... “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.”


**Assista ao vídeo com a encenação do Menestrel

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Era final de tarde. O sol começava a esconder-se por entre as nuvens. O gelado do inverno esfriava os corpos, as coisas, as folhas. Não havia mais flores. As cores haviam sido trocadas pelo cinza da estação. A neve dava sinais de sua chegada.
Eis que no alto de uma pequena montanha, alguém abria os braços e sorria, sozinha. Olhava para baixo e enxergava mais do que a cidade que ali desaparecia. O vento limpava os pensamentos e empurrava os sonhos. A alma se enchia da beleza que não aparecia. A natureza fazia sua parte.
Tomada pelo sentimento, deixou a razão de lado. O tempo poderia esperar os poucos instantes que a fariam voltar mais viva e certa; e calma e outra.





quinta-feira, 2 de julho de 2009

Por uma legislação contemporânea e democrática

Quando escolhi ser jornalista e ingressar em uma faculdade foi para aprender. Aprender a técnica, o debate, a maneira de conduzir. Em uma faculdade, não se aprende a escrever, mas aperfeiçoar; não nos é ensinado a colocar acentos e fazer a pontuação da maneira correta, mas as diferentes formas que um texto pode assumir segundo as suas adequações. Aprende-se ética, legislação. Aprende-se a entender o papel da mídia na sociedade e o trabalho do profissional que dela participa. Considerar o diploma desnecessário é desqualificar, não apenas o ofício do jornalismo, mas também as informações que se encontram nos meios de comunicação. É retroceder uma conquista que titulou aqueles que lutaram pelo melhoramento do exercício.

Indignados com a decisão do STF, os professores debatiam a obrigatoriedade do diploma. E, ao contrário dos que se opõem ao ensino das faculdades, o jornalista Tibério Vargas contou que quando ingressou na faculdade, o título não era necessário. Então por que entrou? Para aprender! Queria qualificação profissional. E assim como ele, tantos outros o fizeram. O diploma não censura a liberdade de expressão, ele dá condições para que tal liberdade seja expressa.

Em muitos países, não é preciso cursar uma faculdade específica para exercer a profissão, basta que se tenha uma especialização na área. No entanto, cada vez mais, surgem, nas nações exteriores, faculdades que se preocupam com o ensino teórico e prático da profissão. A Europa, por exemplo, se encaminham para uma nova ideia em relação ao jornalismo e ao exercício do mesmo. Enquanto isso, nós aqui no Brasil seguimos na direção oposta.

É claro que, em quatro anos, não se aprende tudo (aliás, tudo não pode ser aprendido em quatro, cinco, dez, vinte anos...). É óbvio que só na prática do dia-a-dia o trabalho pode ser aperfeiçoado. Mas isso não exclui a base. A faculdade é o alicerce, o norte, o mínimo. Saber da história, da técnica (porque é através dela que o conhecimento será passado), dos meios; para isso é a faculdade. E para os que reclamam da qualidade, uma pergunta: quantos são os que se dedicam e que realmente querem ser jornalistas? Se os alunos não dão valor ao que lhes é ensinado, mesmo que não considerem um bom aprendizado (desculpa que muitos se fazem), então não há professor que consiga passar o conhecimento adiante.

O diploma não exclui a participação de outros profissionais para o esclarecimento da saúde, da física, do Direito ou de qualquer outra área. Nunca lhes foi barrada a participação, até porque, o trabalho do jornalista depende de todas as outras atividades. O nosso papel (incluo-me aqui pelo orgulho de cursar a faculdade e receber um diploma ao final) é elucidar as histórias contadas, traduzir termos técnicos, é dar voz a mais de um lado e passar o que foi contado para diferentes públicos através de mídias diversas.

Minha esperança é que a decisão possa ser modificada. Acredito no Jornalismo, no ensino, na faculdade, nos professores, na profissão que escolhi.


** Assista ao manifesto dos professores da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS:
http://www.youtube.com/watch?v=JDrMStRLVFU

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Flanelinhas de carteira

Flanelinha, termo advindo do português europeu, traduzido por “arrumador de carros” ou apenas “arrumador”. Transeunte nos centros urbanos, representa a figura do trabalhador que ganha dinheiro através de pequenos serviços no trânsito. Atividade de muita honra, pois se não o fosse, quem auxiliaria os barbeiros a estacionar em uma vaga pequena junto ao meio fio da calçada? Com a ajuda de uma simples abanada de mão e um sinal de “ok”, os mais desajeitados atravessam o sufoco. O “obrigado” vem então acompanhado de moedinhas, ou notas, que agradecem a boa vontade.

Não mais com flanelas nas mãos, os guardadores ganham uma nova oportunidade na capital. De jaleco, calça, camisa branca e gravata, cerca de 20 “arrumadores” participaram da cerimônia que tornou legal a atividade por eles exercida. De carteira assinada, uniforme e identificação, eles agora têm profissão. E mediante o recebimento da famosa “esmolinha”, o motorista receberá um recibo que comprova os trocados dados. A pergunta é: será que vai funcionar?

Segundo dados da Smic (Secretaria Municipal da Indústria e do Comércio), Porto Alegre abriga mais de 3 mil guardadores ilegais. A partir de hoje, grupos passam a ocupar as zonas delimitadas e supervisionadas pela Brigada Militar. E os ilegais como ficam? Será que serão escamoteados pelos que agora são merecedores do posto? A iniciativa corrobora para o aumento de empregos em tempos de crise e de maiores oportunidades para a classe trabalhadora. Então, na dúvida, confie sempre nos que agora se apresentarem de uniforme e, ao final, não esqueça de solicitar o recibo, não mais pela ajuda, mas pelo trabalho dos flanelinhas.
Ainda hei de contar... das cidades que conheci.. aventuras que vivi... No momento, só nostalgia de uma Alemanha que ficou...



Ah... Deutschland...

De volta

Depois de algum tempo... de viagens e estudo, a ideia é voltar para o mundo dos Blogs... e não apenas como leitora.